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sexta-feira, 7 de março de 2014

# 18 Ídolos

O programa de inglês é todo ele recheado de celebrações. Às datas marcantes do calendário anglo-saxónico, como o Halloween ou o Valentine’s, juntam-se ainda o São Martinho ou o Carnaval. Parece que passo mais tempo a assinalar as datas festivas que a ensinar tudo o resto, mas enfim, não há como evitar. Falar de costumes é o ponto alto dos tópicos carnavalescos. As preferências dos miúdos espelham o zeitgeist e as variantes de escola para escola dão-nos a cor local. Em alta, continuam as intemporais princesas, embora a versão fadas Winx tenha cedido lugar às personagens Monster High. Este cruzamento de Barbie com o submundo do terror resulta num freak chic irresistível para as miúdas – e para os pais, que reciclam diretamente os fatos do Halloween para o Carnaval. Os rapazes continuam a sonhar com superpoderes e rendem-se ao trio Superman, Spiderman e Batman. Este ano os palhaços e os mágicos desapareceram e os super-heróis acabaram a disputar os recreios aos militares de abril e aos polícias de faz de conta. Mas ainda há sonhos de menino que passam por ser o Tony Carreira ou o Michael Jackson. Ou então o David Maia, um cantor cigano idolatrado na turma e que só eu desconhecia. Entre as ciganitas uma disse-me que se ia mascarar de “Solteira”. I beg your pardon? Incrédula com o meu desconhecimento, explica como quem diz Duh!:Sim, ticher, sabes, de solteira, com saltos altos, minissaia, maminhas e com a cara pintada”. Of course! The portrait of a (single) lady.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

# 16 Valentine’s

Roses are red/ Violets are blue/ Sugar is sweet/ and so are you... Os miúdos vibram com o Valentine’s Day. Por mais que tentemos transformar a ocasião numa celebração da amizade e amor à família, eles querem mesmo é falar de namorados. Nos cartões que improvisamos, os corações e muitos “I love you” raramente são para os pais ou amigos. A Andreia, 6 anos, confidencia-me orgulhosa: “Eu tenho um namorado, é um preto (sic). Chama-se João.” Está feliz e nas tintas para o politicamente correto. A Catarina, também. Tem dois namorados e precisa de um cartão extra. Já a colega do lado resolve o assunto colocando o nome dos vários namorados no mesmo postal. Rendo-me. O Acácio, para ser ainda mais avançado, declarou que era casado e tinha cinco filhos(!). Não querendo explorar o tema, disse-lhes apenas que meninos pequenos não podiam casar. A Taíssa concordou “Só aos catorze, ticher. A minha irmã já tá prometida mas só pode casar quando for grande”. Aos catorze, portanto. Esquecia-me que na gipsylandia as coisas eram ligeiramente diferentes. Calei-me. Mas a data é propícia às perguntas indiscretas:  “Também vais fazer um cartão para o teu namorado?” Respondo “Eu não tenho namorado”. Espantados: “Não?!” Diz o mais sabido: “Claro que não, os velhos não têm namorados, são casados. Não é?” Explico que nem sempre é assim e choco-os ainda mais com a revelação que também não era casada. O que fui dizer! O Acácio olha para mim e diz ”Isso é muito estranho! Tens um filho e NÃO és casada?” Velha e ainda por cima sem um marido, could it get any worse? Hey, kids! Leave this teacher alone.